sexta-feira, 11 de outubro de 2013

Vida

(para Baruch Espinosa)
  
Vivemos entre dois oceanos
Vagando em incertas vagas
Assim passam dias e os anos
Até que enfim naufragamos
Para nunca mais nessas águas.

Seguimos sem direção
Ao jugo das marés
Nunca tocamos um chão
As vagas única destinação
Nada de sólido sob nossos pés:

Serenidade em meio ao caos sangrento
Eis aí tudo, das virtudes a máxima perfeição,
Na variação contínua de tudo todo o sofrimento
Fluindo extáticos neste obscuro elemento
Em total e absorta concentração.

Na passagem arriscada de instante para instante
Passa ao longe bem ao longe um avião
Esse voo é extremo, como tudo na vida periclitante -
De qualquer maneira seguir sempre adiante
Mesmo que por estes oceanos em plena solidão.

Pontos ínfimos na cartografia dessa imensidão
Entre estas multidões de estrelas
Olhando por muitas janelas
Procurando por TI em nosso coração:


Tu que és nenhuma e todas elas.

Um comentário:

  1. "Tu que és nenhuma e todas elas" - esta frase foi roubada de um poema de J. L. Borges intitulado Baruch Espinosa.

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