(para o pequeno amigo do vento oeste)
e quando falta a água e o pão
e quando falta a água e o pão
e quando as crianças ficam sós
e do peito o miolo se evola
e quando irmão se perde do irmão
e as ruínas e a memória se cobrem de pós
e quando a inocência se viola
que paz pode restar no coração
dos poetas, que intimidade as pombas
podem ter com a Vida, se as bombas
exaurem todas as metas e tudo que resta
é uma terra consumida
e quando olhamos para o céu
e à ele erguemos os braços
o olhar errático
por trás do véu
e seus infinitos laços
em desespero cáustico
incautos
ignorantes holocaustos
diante o nada
"a vida não é nobre, nem boa, nem sagrada"
mas é terrivelmente bela
ó coração amante
do todo imanente
amá-la!
até seu último grau
de baixeza
vivê-la!
até todo peso
tornar-se leveza
bebê-la!
até
a última
gota
.
A frase "a vida não é nobre, nem boa, nem sagrada" está na Ode a Walt Whitman de García Lorca:
ResponderExcluirAgonia, agonia, sonho, fermento e sonho.
Este é o mundo, amigo, agonia, agonia.
Os mortos se decompõem sob o relógio das cidades,
a guerra passa chorando com um milhão de ratazanas cinzentas,
os ricos dão a suas queridas
pequenos moribundos iluminados,
e a vida não é nobre, nem boa, nem sagrada.