sexta-feira, 11 de outubro de 2013

Baruch de Spinosa

Quedam as mãos mansas
Os olhos fatigados das lentes
Nem ouve o barulho das gentes
E na penumbra descansas

Aparentemente só e excluído
O selvagem patriota sem nação
Seu amor não pode ser medido
Ama aquilo que é Multidão

Vai findando a fria tarde
Nem mulher e nem amigo
No amor Dele para consigo
Frui pacientemente e arde

Quem o espia pela janela
Realmente nem desconfia
Que estranha luz é aquela
O que é que ali se fia

Sentado em sua cadeira
As mãos retornam ao labor
De resto imóvel qual caveira
A quem da janela espia trás terror

Sobre seu regaço polindo
Translúcida cabeça desnuda
Apenas matéria formal reunindo
Dos princípios a conseqüência profunda

Em sua perfeita paciência
Suportava os benditos espinhos
Fez tudo se produzir na imanência
Ali sentando abriu todos os caminhos

Quando lhe impuseram o Herem
O amaldiçoaram por errante
Apenas seguiu adiante
Com o pensamento muito além

Quem ousava assim o lia
Com a mente supersticiosa
Espantava-se com a anomalia
Com a atitude poderosa 
De sua singular filosofia

Que ensinou da vida sua potência
Que se abriu ao claro enigma
Que sofreu o cruel estigma
Mas não se rendeu à violência

Não maldisse o mundo e nem a gente
Mostrou que não há nada mais potente
Que a revolta inesperada de um inocente

Amante da liberdade e da verdade
Que desejou o infinito e a eternidade
Que nunca se escondeu trás o que defendia
Sua filosofia da felicidade e absoluta democracia

Não lhe prestamos culto apenas nossa amizade
Dantes nem depois algo assim jamais foi visto

Dos filósofos és o virtuoso Cristo.

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