segunda-feira, 14 de outubro de 2013

Canção-despedida

Quisera transpor-me escalando marés
Ao sol solitário em praias negras
Que vislumbro entre colunas gregas
Infuso em horrores místicos e odores de estranhos rapés;

Nesta aurora rubra e desvirginada
Ir encontrar a anciã tecelã
Que ao tear como a um piano, enfeitiçada,
Tecendo eternamente a noite desfiando a madrugada em manhã –

Para vê-la arrebentar a crisálida
E sobre o corpo medonho e escamoso do Leviatã
Pousar trêmula a delicada borboleta
Como um barco de papel no charco
Para lamber sua íris azulizoleta.

Ouvi, ó minha alma!

É a canção-despedida dum marinheiro.

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