Se é que chega,
Não vai ter nada sobre a mesa, nêga,
Mas haverá algo no ar
De inexplicável leveza
E mesmo com a pobreza da casa
Dará a tudo um frêmito de asa
E um frescor de sonho
Como a este samba que componho
Imaginando você chegar.
Ai nêga! A faca tá tão cega
Que não corta nem seda, contudo,
Conceda: vem me amar.
A água é fria e a cama é dura
Mas pra tudo tem solução
Só o desamor não tem cura
E pobreza é não ter alegria no coração.
Sei que você não é a santa Amélia
E que não existe beleza na miséria
Mas quando a fome aperta tem sempre uma canção
E a gente canta e a gente bebe
A gente vive de samba
(nêgo não concebe)
Como mesmo na corda bamba
Passo por passo
A gente não perde o compasso
Não perde a chama
E se ama... e se ama... nêga, ó nêga...
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