sexta-feira, 11 de outubro de 2013

Pequenas grandes desventuras

"Ai mãe bendita
 Deixei cair
 A marmita!"


Alguém pode
Até mesmo rir
Mas é assim
Que alguém se fode
Quando a loucura eclode

E o desespero não tem mais fim...

Não é a porra do sentido da vida
Nem a errática condição
Da maldita raça humana
Ou a vista da natureza consumida
Não é a falta de amor e comunhão
Nem o país que nos engana
(Ai de mim Copacabana!)

Muito embora, vá lá...
Tudo isso dê uma forcinha.

Mas vejo agora
Que são todas as pequenas
Tragédias da vida mesquinha
E cotidiana que nos custam tantas penas

Que levam alguém
À prisão
Ou ao sanatório

Não é a dúvida de um além
Não é a insistente ilusão
Mas sim, o nefasto repertório
Das infames e desimportantes
Desventuras de um só dia inglório

Quando ao final dos expedientes
Das quase que indeléveis torturas
Quando alguém rasga sua última veste
Ao deixar cair o prato que fizeste
Que este alguém fica com vontade
De morder as próprias mãos
E talvez por falta de capacidade
Sai pra rua a ladrar para os tais sãos
Faz escândalo por todo prédio
Então vem a carrocinha e o homem de branco
Com seu menu de remédio.

São as pequenas e doloridas topadas
Que vão aos poucos formando um cancro.

Depois de tudo se maravilha
Com os chatos passeando pela virilha
E os estúpidos insetos alados
Que com os interruptores desligados

Sem mais luz
Que conduz

Caem como se a escuridão pesasse.

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