"Ai mãe bendita
Deixei cair A marmita!"
Alguém pode
Até mesmo rir
Mas é assim
Que alguém se fode
Quando a loucura eclode
E o desespero não tem mais fim...
Não é a porra do sentido da vida
Nem a errática condição
Da maldita raça humana
Ou a vista da natureza consumida
Não é a falta de amor e comunhão
Nem o país que nos engana
(Ai de mim Copacabana!)
Muito embora, vá lá...
Tudo isso dê uma forcinha.
Mas vejo agora
Que são todas as pequenas
Tragédias da vida mesquinha
E cotidiana que nos custam tantas penas
Que levam alguém
À prisão
Ou ao sanatório
Não é a dúvida de um além
Não é a insistente ilusão
Mas sim, o nefasto repertório
Das infames e desimportantes
Desventuras de um só dia inglório
Quando ao final dos expedientes
Das quase que indeléveis torturas
Quando alguém rasga sua última veste
Ao deixar cair o prato que fizeste
Que este alguém fica com vontade
De morder as próprias mãos
E talvez por falta de capacidade
Sai pra rua a ladrar para os tais sãos
Faz escândalo por todo prédio
Então vem a carrocinha e o homem de branco
Com seu menu de remédio.
São as pequenas e doloridas topadas
Que vão aos poucos formando um cancro.
Depois de tudo se maravilha
Com os chatos passeando pela virilha
E os estúpidos insetos alados
Que com os interruptores desligados
Sem mais luz
Que conduz
Caem como se a escuridão pesasse.
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