sexta-feira, 11 de outubro de 2013

Poesia da Performance (realizada no sexto Corredor Cultural de Franca)

Tínhamos ido até a praça para celebrar
quando choveu as pessoas se recolheram
sob uma tenda. Sentei-me no chão
a cabeça entre os joelhos
e os braços enlaçados nas pernas.
Eu queria fazê-las sentir algo
eu queria que elas experimentassem algo
eu queria que elas celebrassem algo vivo como a chuva

eu queria que elas sentissem o aparentemente irremediável
desamparo em que vivemos todos, sofremos todos nós,
unidos e exclusos numa cela solitária e comum.
Eu queria que a chuva os iluminasse
eu queria que todos eles se tornassem reis-loucos
que eles se tornassem livres e alegres guerreiros
que trouxessem um vaso sagrado e oculto
que tivessem uma verdade-bárbara nas mãos.
Gostava que sentissem a quentura do interior das gotas frias
queria que seus peitos brilhassem a beleza-solar
que reside em tudo que vive e ama e faz poesia.

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