(para Carlos Drummond de Andrade)
Roubei a mais bela rosa
Roubei a mais bela rosa
no jardim da antiga escola
onde a professora ensinava
o que eu nunca aprendi.
O que deixei de ganhar
nunca medi. Sonhava, é o que fiz
e improvisava o meu caderno de aprendiz.
Regras, fórmulas, leis, nunca pude decorar.
Mas como poderia? Tanto faz quanto tanto fez
estava infuso do amor em português.
Quando nasci, um anjo rouco
destes que tomaram as mulheres,
depois de um uivo, disse: Acho é pouco
além de canhoto é ruivo.
Meu coração é um elefante
sai todo dia para passear
também faz o seu rumor
às vezes volta com uma flor, resfolegante,
porém, sempre tão indômito quanto partira.
Ainda bem jovem
sofrendo da angústia terrível
que só os extra-vagos mancebos sofrem,
daquela sede inextinguível -
tracei uma incerta, mas obstinada meta:
Morto, louco ou poeta.
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