sexta-feira, 11 de outubro de 2013

Olhos

Meus olhos de baleia
Meus olhos de cavalo louco
Meus olhos enferrujados
Que não descansam jamais

Meus olhos perdidos entre as vagas
Meus olhos inquietos nas virações marinhas
Meus olhos alucinados pela variação contínua de tudo
Meus olhos abertos para todas as janelas abertas para este mundo

Meus olhos mudos para caras, pernas bigodes, lentes, fotografias
Diante todas as coisas que não são para ser vistas, mas sofridas,
Meus olhos brilhantes diante as crianças escandalosamente alegres
Meus olhos turvados mergulhados em lágrimas e sal

Meu olhar vidente, meus olhar ausente, meus olhar movente,
Meu olhar crente, descrente, meu olhar amoroso,
Meu olhar terrível, meu olhar difícil de ser olhado, meu olhar malvisto -

Meu olhar pétreo, meu olhar vazio, pleno, meu olhar imperceptível.

Meus olhos, dois poços, dois lagos, dos astros,
Meus olhar não deixa rastros, não deixa restos,
Meus olhos corriqueiros e castanhos
Meu olhar de tempestade e furacão

Meus olhos nas minhas mãos me olham
Meus olhos nos espelhos medram de si mesmos
Meus olhos sobre sua pele se abisma
Meus olhos mirando desertos

Meus olhos descansando num prato
Ofereço para uma santa, para sua refeição frugal,
Seu encanto fatal, para a brancura da escritura,
Meus olhos saudosos de uma terra natal inexistente
Meus olhos sem igual neste mundo

Meus olhos sós, meus olhos sóis, meus olhos drogados,
Meus olhos indo para o além, meus olhos no bebeléu,
Meus olhos no céu, encobertos por um véu,
Meus olhos de réu, meu olhar doce e cruel,

Meu olhar sorridente, meu olhar possuído por um azul,
Meu olhar no sul, meu olhar nu, meu olhar por olhar,
Meu olhar exterior à mim, meu olhar labiríntico,
Meu olhar choroso, meus olhos ridículos, de óculos,

Meu olhos claramente cegos
Meu olhar oblíquo, meu olhar ubíquo,
Meu olhar de banda.


Meu olhar abandonado.

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