Freneticamente avançando
Seguindo contando
Nomeando estrelas
Enormes estrelas
Pelos corredores infindos
E silenciosos
Sem a mínima esperança
De encontrarmos passando ao léu
Um barquinho de papel.
Assim eu os via, insanos,
Queriam todas elas
Não eram bocós
O suficiente para querem uma.
Era noite e toda aquela imensidão negra
Elas pequeninas reluzindo
Como me pareciam tão poucas
De modo que feito laranjas
Eu as pudesse recolher na camisa.
Estavam ali, ao meu alcance,
Porém, eu não ousava,
Brilhantes e frágeis
Que me pareciam,
Como a vida.
Ó sim são muitas
E sei seus nomes uma por uma.
E elas atendem?
A mim nunca foram familiares
Cada noite que se estendia
E se enrolava ficava mais maravilhado
De que elas ainda pequeninas
Tão frágeis tão finas
Permanecessem ali.
Diziam em casa
Vá dormir
Elas estarão aí amanhã.
Mas eu sabia
Que era apenas uma aposta
Uma aposta que se podia
Ganhar quase sempre.
Mas a vida quanto maravilhosa
Tem de perigosa.
Podia bem acontecer
Que um menino arteiro
As fizesse cair
Podia bem acontecer
De um elefante
Querer entrar
Pelo furo da cabeça
Do alfinete
Que chamávamos cosmos.
Um elefante dificilmente
Passa pela porta do universo.
Vê se cala e escuta
A vida é diminuta.
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