terça-feira, 22 de outubro de 2013

Sem-títiulo

Espero-te nos umbrais do poente
Quando o sol devora palpitantes corações
Dos heróis e amantes que se puseram a segui-lo fielmente
E no deserto com'um espero-te entre os leões.
Sou aquele que te espera na fonte
E quando chegares com a primavera
Festejando entre os animais a beleza de sua fronte
Com seus olhos como dois lucíferes, a mais bela fera,
Estenderei minhas mãos em concha
Que tudo vivifica frutifica e renova
Concha repleta d'água feliz que brota da rocha
Que tudo viceja e tu se farás toda cereja, lua-nova,
E eu te direi: Bebe primeiro, te peço, pequeno sol.
Já vislumbro os arcos e o promontório
Na altura da profundidade de sua inscrição
Nada mais terrificante desde o chamado do capitão
Quando ao mar se desfez o véu ilusório.
Desde que me levantei e estou consciente
Desde que estou consciente e me levantei
E tive a visão do sonho morto inda luminescente
E sobre ele no silêncio mais remoto jurei:
Desde que estou livre para roubar fogo
Advertido pelos deuses autorizado pelos vates
Levarei em mim esta inscrição como um rogo
Pelas furnas do gélido Hades - "É preciso que adentres para que o
                                                                                                       ser saia".

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