segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Risquem meu nome

(para A. Rimbaud)

Não quero ser razoável aqui:
risquem meu nome do livro imundo
das páginas destes dias em que sofri
atolado e cantando na merda deste humano mundo.

Nem ao mais excelente mendigo
poderão, agora, me comparar -
e na falta de um verdadeiro amigo
permaneço avaro e silente como o mar.

Não terão nada de mim, nem a morte!
quando chegarem encontrarão algo vazio,
nulo, como um abandonado casulo,
o sol é que me dissolverá!

Risquem meu nome
como se anula um mosquito
para sempre proscrito
como tudo que escrevo e tenho escrito.

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