domingo, 10 de novembro de 2013

A cruz e a mão do menino

Que cada qual carregue a sua cruz. Essa é a divisa que nos traspassa a todos já vão séculos, muito embora surgissem pessoas que de tempos em tempos buscaram nos estender as mãos com as portas do coração abertas para o mundo e nos colocar de pé, eretos. Dizem, que aquele nosso amigo, coração-amante do todo imanente, Jesus Cristo, foi lá e nos provou que era possível aquilo que criamos ser impossível e desde então homens sem compaixão fazem crer a toda a gente que assim que é, que precisamos seguir o exemplo. Dizem, que o verdadeiro amigo é aquele que nos ajuda como pode a carregar a cruz, nos apoiando para não cairmos e seguirmos em frente, arrastando, puxando. O Jesus Cristo que amo é aquela grande alma que me veio mostrar que o mais difícil não é carregar o peso, o mais difícil, em verdade, é depô-lo, o fardo, antes que ele se nos agarre feito corcunda. Muitas outras grandes almas disseram, ensinaram e exortaram-nos para que cuidássemos de nos livrar de todo o peso. Para muitos parecerá simplório e ridículo, mas para todos estes lanço um desafio, aposto que todos são capazes de erguer o peso e carregar sua própria cruz, ainda mais que outros muitos haverá para lhes estimular, lhes incentivar, porém, poucos, talvez também como eu, conseguirão o que lhes parece mais fácil e que encaramos como sendo uma desistência, simplesmente deixar cair o que leva nas costas, sobre os ombros. Também eu até aqui não amei o quanto poderia, também eu tive medo, também eu tive a cara deformada pelo ódio, também eu cri que era de algum modo maior que alguém, também eu comi, bebi e dormi, enquanto insones  eram e são corroídos pela fome e pela sede, também eu estive de olhos fechados por tempo demais, também eu esqueci de agradecer quando pude doar. Porém, sinceramente, poesia é questão de vida ou morte, de salvação ou perdição, não obstante se crerdes ou não, escrever um poema é salvar alguém, uma vida, nem que seja a nossa própria. Eu também fiz pouco e, talvez, quando eu morrer não deixe mais que uns poucos poemas, mas serão realmente o que fui e o que pude dar. Eu também fiz pouco, mas todo dia que chove aquela chuva antiguêra, é incrível, invade-me o ser uma esperança sem mescla de medo, uma fé, uma leveza, oro sem vergonha, escrevo sem mirar a quem, peço ao Deus, que se apiede, peço a cada um de vocês, no mais íntimo, mesmo que não sentis nem escuteis, que simplesmente, desistam, descansem, que deixem as coisas em paz, os guarda-chuvas, que deixem as pessoas em paz para viver e amar, que é tudo que o corações dos poetas e dos não poetas, ou melhor, daqueles que ainda não se experimentaram como poetas.

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