quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Para o Natal de 2013

Temos buscado incansavelmente nossa vitória e nosso pão de cada dia.
Temos perdido noites desesperadamente buscando nossa pequena alegria.
Temos procurado o que somos em todos os lugares e em todos os lugares
só o que encontramos é a angústia de estar ou não estar.


Temos construído nossas próprias armadilhas. Nossas próprias prisões.
Rido do que intimamente choramos e chorado do que intimamente nós rimos.

Temos bebido e comido a água e o alimento.
Temos principalmente jogado fora o que falta a quem não tem nada.

Temos nos sentido, realmente privilegiados, por nossa ignorância.
Por nossa insensibilidade, por nossa estupidez, por nosso entorpecimento.
Por nossa sábia indiferença diante o sofrimento de tantos seres.


Por nossos falsos paraísos, por nossas crianças senis, por nossos adultos infantilizados,

por nossos velhos calados, por nossas mortes controladas.

Temos temido todas as coisas, acima de tudo temos temido amar e ser amados,

pois isso nos levaria à certeza de que tudo só depende de nós.

Assim como uma só andorinha não tece o verão, nossa dor e nosso amor sozinhos

não fazem nenhum Natal. Por isso, é preciso que estendamos nosso dor à dor vizinha,
nosso amor além de nossos jardins. É preciso erguer uma ponte, abrir uma fonte,
do homem ao homem, de horizonte à horizonte, de porta em porta, de rota à rota,
de guirlanda em guirlanda, de ciranda em ciranda, de pólo à polo, de olhar em olhar,
de mar à mar, de solo à solo - E amar.

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