(para Adélia Prado)
Quando você chegou fez-se luz em meu viver. Você veio carregando o dia. No escuro não chegava ninguém e meus lábios brancos encerravam o segredo da noite. Você veio carregando o dia ser luminoso. Trazia nas mãos coroadas um vaso com peixes nadando em um vinho maravilhoso, que bebia-se feito água. Vinho que me inebriou de luz e sangue vivo com seu corpo que me curou de toda a treva e na solidão silente do meu coração vieram cantar os pássaros do dia. Dia que você vinha carregando nas mãos coroadas de rosas e estrelas, dia em que surgiram lágrimas novas e eram doces de teu vinho e vivas de tua luz e puras como o seu corpo e a música alimentava o pasto de eternidade. Isso foi quando você chegou.
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