sábado, 21 de dezembro de 2013

Flor Peregrina

Oh flor peregrina
Assim pequenina
Infunde todo o mundo
Com vosso perfume
Desde o vale até o cume.

Oh chama infinita
Serenamente medita
Entre o viver e o morrer
E assim ativa, assim ardente,
Incendeia todo o presente.

Oh flor peregrina
Insondável é ao que se destina,
Indevassavel, assim o oceano e o amor,
Chama intocada e perfeitamente silente
Neste mundo de caos és toda inocente.

Nem os sábios nem os santos nem os poetas
Nem aos poderosos nem aos profetas
Nao és de nada nem de ninguém
Nem daqui nem do além
Nem de antes nem de depois.

Nenhuma coisa e nenhum nada te limita
De amor és toda infinita - Que sois?
Assim tao leve, sem espinho,
Forte e delicada como um ninho
Livre de todo caminho ou descaminho.

Assim, repleta de ternura,
De com-paixao e de cura
Sempre-viva-sempre-amante-sempre-morta
Mesmo ao redor de tanta crueldade e violência
Permanece sempre sagrada em sua inocência.

Flor peregrina, flor transmigratória,
Como dizer-lhes de sua criação
De sua magnífica e humilde realização
De sua descentrada glória?

Oh sempre-florescente-flor
Chama silente que medita
Chama livre de medida
Entre vida e morte - és amor.

VIDAMORTE.

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