segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

Carta de anos

Miguel Angelo,

hoje, segunda-feira, 23/12/2013, você faz anos, completa dez anos de vida neste nosso mundo.

Você, meu filho, com sua luz, alegra meus olhos e seu sorriso a cada vez que se abre espalha o colorido do dia com todos os seus sons. E, eu lhe saúdo, como agradeço esta manha que é única como tudo o que vive e respira.

Meu filho, nao quero lhe dizer o que deves ou nao fazer, muito menos lhe dizer o que você deveria ser; Espero, apenas, que caminhemos juntos e assim compartilhemos a maravilha indescritível de viver - Que possamos, meu filhinho Miguel, ver muito serenamente todas as coisas, todos os seres e que assim olhando com olhos saos de ver, com toda atenção que tudo merece e demanda, pois tudo é novo a cada instante, assim sendo, que nosso olhar esteja sempre límpido e fresco, principalmente, esteja livre e lépido,  sempre inocente, de modo que possamos perceber todo o mundo com tudo que há nele, pela primeira vez.

Permita apenas meu querido amigo, que nesta caminhada, eu possa vez em quando lhe apontar certas coisas, com todo cuidado, com todo zelo, é só o que lhe peço, humildemente. Esteja sempre aberto, sempre se abrindo, sempre a florescer e, assim florescendo, com toda a vulnerabilidade do que é inocente, sem se preocupar com o que foi ou com o que vai acontecer, simplesmente deixe que seu perfume envolva o mundo, sem nunca levar em conta "quem ou o que".

Cante, aos quatro ventos, em todas as direções, a canção da vida que vibra e jorra da fonte pura e silenciosa em seu coraçaozinho. Cante, pois, porque este mundo de pessoas cada vez mais insensíveis, cada vez mais surdas, mesmo que o neguem com todo orgulho e ignorância,  precisa deste perfume, desta canção de vida e amor.

Sendo assim, meu querido amigo, meu amado filho, simplesmente exale, cante, semeie, sem se preocupar com o que vao dizer ou fazer, pois que, assim desatentos, brutos e sem cuidado, nem perceberão que vosso perfume lhes impregnou, que vossa canção os elevou e que seus pés estão repletos das sementes que você semeou:

De modo que - por onde forem levar a guerra e a desgraça, levarão também as futuras flores, onde forem levar a fome levarão também o futuro alimento. Talvez, eles nao perceberão, contudo, outros neles talvez percebam aquele perfume e sintam o fluir irreprimível da canção e lhes sorriam.

O mundo, meu filho, precisa de você e de seus amiguinhos mais do que você e seus amiguinhos podem, agora, conceber; E lhes dirão, deixe isso conosco, esta missão é muito perigosa, esta tarefa é muito árdua, este trabalho é muito pesado para vocês, crianças.

Amado, nao permita que lhe encham de medo com a covardia deles, pois do nosso medo é produzida a autoridade que a nós próprios subjugará e, se isso acontecer, nao tens ninguém nem nada a culpar - Pois, fostes tu que oferecestes o coração, a cabeça, os braços e as pernas ao grilhão da servidão.

Meu caro bb potável, se negares positivamente tudo o que nao é amor, encontrarás por si mesmo, naturalmente, o que é amor; Com este amor, peixinho branco, nada será impossível e tudo será leve como sua maozinha, com a qual, cândida, estampará o mundo com o selo da inocência e da verdade.

Seja assim, meu filho, forte e delicado feito ninho, com os braços sempre abertos para oferecer abrigo. Seja assim, meu filho, uma luz para si mesmo. Que seu presente seja o presente-vivo da vida.

Com toda alegria lhe saúdo, amado Miguel Angelo, seu amigo e seu pai, Alexandre Magno Jardim Pimenta.

Obs: Para nao dizerem que lhe falei de apenas coisas "sonhadoras" como se dissessem "irreais" que em verdade nem de longe o sao, vou lhe falar agora de ciência, ciência essa (nem sabes) que aprendi com você.

A ciencia da poesia
É aquela de soltar pipa

Com uma linha infinita.

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