Ela acordou ainda fazia noite
E sua solidão era a mesma da estrela
E seus átomos eram os mesmos de todas as estrelas
E sua febre era a febre do universo.
Ela abriu a janela
E o vento enquanto ventava
E pelo quarto adentrava
Deslizando por ela, ganhava a forma de seu corpo.
Quando o sol estabelecido
De azul o céu iluminou
Seu coração comovido
Enfim transbordou.
Transbordou como transborda o rio
Como transborda um copo de água
Como transbordam os olhos
Transbordou como uma flor exala seu perfume.
Entao, ela pegou dois bancos na cozinha,
Abriu o portão e foi de encontro ao deserto da rua
Repleta de gente que dizem ter uma alma
E ela colocou os bancos na calçada, um do lado do outro.
Sentada num deles, vulnerável feito florflorescendo,
Pacientemente, inocentemente exalava -
E nem se importava com o que fosse acontecer:
"Senhorita, que faz aí?" Simplesmente a viver.
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