com suas portas, se todas elas me levem
para onde você não está e onde não quero estar?
De que servem todos os lugares,
se por eles tudo é fadiga e pesares?
O mundo com suas janelas
se não há você em nenhuma delas
se de nenhuma eu posso repousar o olhar em ti
como sobre uma ilha e tudo o que resta
é o vago horizonte sem espessura?
Você é a água aflita que eu sugo na terra.
De que valem, meu bem,
todas as portas e janelas deste mundo
se você, flore entre flores, era o perfume íntimo
que dele emanava? E o vento não é cruel nem frio,
é sim um cachorro vadio. Quê importam?
Se tudo que por elas agora transita (sem cor nem cheiro)
é insensível à tintura poética, à minha solidão?
Quê importa a liberdade?
Se sem você não tenho braços nem pernas
que foram dilacerados nesta tarde de chuva com sol
quando te disse adeus e desistimos do amor
como se largássemos brinquedos
como as crianças que sem saber os deixam, pela última vez,
sem saber que quando voltarem a vê-los
já estarão crescidas e não saberão mais como pegá-los
e a pureza se mostrará, tal qual é, um mito.
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